Você está em:   Home Avaliação da artrodese e do alinhamento cervical após discectomia cervical com interposição de polimetilmetacrilato
Aumentar Textos Diminuir Textos Texto Normal
PDF Imprimir E-mail
Atualidades em Neurologia - Últimas Notícias

  
Risco cardiometabólico de medicamentos antipsicóticos de segunda geração durante o primeiro uso em crianças e adolescentes

Os efeitos cardiometabólicos de medicamentos antipsicóticos de segunda geração são preocupantes, mas não têm sido suficientemente estudados em pacientes pediátricos e adolescentes virgens de medicamentos antipsicóticos. Pesquisadores americanos realizaram um estudo, recentemente publicado no Journal of the American Medical Association, com o objetivo de analisar a associação de medicamentos antipsicóticos de segunda geração com a composição corporal e parâmetros metabólicos em pacientes sem exposição prévia a medicamento antipsicótico.

Este estudo de coorte não randomizado de Indicações, Efetividade e Tolerabilidade do Tratamento Antipsicótico de Segunda Geração em Jovens (Second-Generation Antipsychotic Treatment Indications, Effectiveness and Tolerability in Youth – SATIETY) foi conduzido entre dezembro de 2001 e setembro de 2007 em clínicas ambulatoriais e de internação acadêmicas, semi-urbanas e terciárias em Queens, New York, com uma área de 4,5 milhões de indivíduos. Dos 505 jovens com quatro a 19 anos de idade com uma semana ou menos de exposição a medicamento antipsicótico, 338 foram envolvidos (66,9%). Desses pacientes, 272 tiveram pelo menos uma avaliação pós-inicial (80,5%) e 205 pacientes completaram o estudo (60,7%). Os pacientes tiveram transtornos de espectro do humor (n = 130; 47,8%), espectro de esquizofrenia (n = 82; 30,1%) e espectro de comportamento agressivo ou disruptivo (n = 60; 22,1%). Quinze pacientes que recusaram a participação ou não aderiram serviram com um grupo de comparação. O tratamento foi realizado com aripiprazol, olanzapina, quetiapina ou risperidona por doze semanas. Foram avaliados o ganho de peso e as alterações nos parâmetros lipídicos e metabólicos.

Após uma mediana de 10,8 semanas (intervalo interquartil: 10,5-11,2 semanas) de tratamento, o peso aumentou em 8,5kg (intervalo de confiança [IC] de 95%: 7,4 a 9,7kg) com olanzapina (n = 45), em 6,1kg (IC 95%: 4,9 a 7,2kg) com quetiapina (n = 36), em 5,3kg (IC 95%: 4,8 a 5,9kg) com risperidona (n = 135) e em 4,4kg (IC 95%: 3,7 a 5,2kg) com aripiprazol (n = 41) em comparação com a alteração mínima de peso de 0,2kg (IC 95%: -1,0 a 1,4kg) no grupo de comparação não tratado (n = 15). Com olanzapina e quetiapina, respectivamente, os níveis médios aumentaram significativamente para colesterol total (15,6mg/dL [IC 95%: 6,9 a 24,3mg/dL]; p  < 0,001 e 9,1mg/dL [IC 95%: 0,4 a 17,7mg/dL]; p  = 0,046), triglicérides (24,3mg/dL [IC 95%: 9,8 a 38,9mg/dL]; p  = 0,002 e 37,0mg/dL [IC 95%: 10,1 a 63,8mg/dL]; p  = 0,01), colesterol de lipoproteína de não alta densidade (HDL) (16,8mg/dL [IC 95%: 9,3 a 24,3mg/dL]; p  < 0,001 e 9,9mg/dL [IC 95%: 1,4 a 18,4mg/dL]; p  = 0,03) e razão de triglicérides para colesterol HDL (0,6 [IC 95%: 0,2 a 0,9]; p  = 0,002 e (1,2 [IC 95%: 0,4 a 2,0]; p  = 0,004). Com risperidona, os triglicérides aumentaram significativamente (nível médio: 9,7mg/dL [IC 95%: 0,5 a 19,0mg/dL]; p  = 0,04). As alterações metabólicas do início até o término não foram significativas com aripiprazol nem com o grupo de comparação não tratado.

Os autores concluíram que o uso de medicamento antipsicótico de segunda geração pela primeira vez foi associado com ganho de peso significativo com cada medicamento e que as alterações metabólicas variaram entre os quatro medicamentos antipsicóticos.