PROTOCOLO DE TRATAMENTO DO ESTADO DE MAL EPILÉPTICO NA INFÂNCIA
Paulo Liberalesso, Alfredo Löhr Júnior, Silmara Possas, Rosângela Garbers, Gislaine Souza Nieto, Paulo Ramos David João, Vitor Costa Palazzo. Serviço de Neurologia Infantil do Hospital Pequeno Príncipe (HPP). Serviço de UTI Pediátrica do HPP. Serviço de UTI Neonatal do HPP. Serviço de UTI Neonatal da Maternidade Nossa Senhora de Fátima. Serviço de UTI Neonatal da Maternidade Santa Brígida.
INTRODUÇÃO:
Crises epilépticas correspondem a eventos clínicos transitórios e autolimitados decorrentes de atividade anormal e hipersincrônica de um determinado grupamento de neurônios do córtex cerebral (crises epilépticas focais) ou de neurônios de amplas áreas de ambos os hemisférios cerebrais (crises generalizadas).
Epilepsia corresponde a uma doença caracterizada por crises epilépticas (convulsivas ou não convulsivas) que ocorrem de forma recorrente e não desencadeadas por febre, drogas ou distúrbios metabólicos. A epilepsia pode ocorrer como uma doença isolada ou no contexto de uma síndrome epiléptica em associação com outros sinais e sintomas.
Estado de mal epiléptico corresponde a uma crise epiléptica com duração igual ou superior a 30 minutos ou crises epilépticas subintrantes sem que haja recuperação completa da consciência entre elas. Do ponto de vista clínico, o estado de mal epiléptico pode ser dividido em convulsivo (com manifestações motoras) e não convulsivo (sem manifestações motoras ou com mínimas manifestações motoras).
O estado de mal epiléptico é uma emergência médica relativamente comum no pronto socorro pediátrico. Estima-se que na população geral em torno de 5% dos indivíduos apresentação pelo menos uma crise epiléptica até o final da adolescência. Não são raras as síndromes epilépticas cuja primeira manifestação clínica é um quadro de estado de mal epiléptico do tipo convulsivo. Além de relativamente freqüente nos serviços de emergência pediátrica, o estado de mal epiléptico apresenta morbidade neurológica e mortalidade relativamente elevadas em comparação com outras situações emergenciais.
Segundo a proposta de esquema de diagnóstico para pessoas com crises epilépticas e epilepsia da Liga Internacional Contra Epilepsia (ILAE, 2001), o estado de mal epiléptico deve ser classificado em: (1) estado de mal epiléptico generalizado (estado de mal epiléptico tônico-clônico generalizado, estado de mal epiléptico clônico, estado de mal epiléptico de ausência, estado de mal epiléptico tônico, estado de mal epiléptico mioclônico) e (2) estado de mal epiléptico focal (epilepsia parcial contínua de Kojeynikov, aura contínua, estado de mal epiléptico límbico ou psicomotor, estado de mal epiléptico hemiconvulsivo com hemiparesia).